Quanto amor cabe em um programa de televisão? Muito, gente, muito!
Parto pelo Mundo é o novo programa da GNT (sim, vale a propaganda) feito a partir de um projeto da Mayra Calvette (parteira).
Hoje foi o primeiro episódio, no dia da parteira, e fala sobre como acontece o parto em vários locais, Tibet, Alemanhã, Holanda... Mostrando mulheres, fortes, lindas, diferentes.
Foi lindo de assistir o primeiro e já deixou com vontade de ver mais...
domingo, 5 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Dos tombos...
Hoje a tarde fizemos um picnic no parque com as crianças. Foi uma tarde inteira, e rolou muita brincadeira.
A Isa, mais velha de todas, balançou, escorregou, subiu no trepa trepa e na árvore grandona que tinha lá e foi alto, bem alto pro tamanho dela (pro meu também, diga-se de passagem).
Eu, como mãe, acredito nela! Sim, faço a escolha de acreditar que ela é capaz de vencer desafios, de superar. Eu escolho não falar pra ela não subir, porque pode cair. Não ameaço. Eu fico vendo, atenta, observo quão encantador é uma garotinha de 6 anos usando a lógica, a capacidade motora, o equilíbrio para escalar e se manter no alto de um galho.
Acredito que faz parte da infância, quando a gente não aprende e desenvolve essas sapequices pequeninos, não temos novas chances. Ninguém aprende a subir com força e delicadeza uma árvore depois de adulto. Nós podemos aprender fazer muitas coisas, inclusive podemos subir, mas nunca com a agilidade do corpinho elástico, atento e enérgico de uma criança.
A Isa aprendeu hoje a virar cambalhota no brinquedo de argola. Virou, virou e virou. Tantas foram as viradas e no final do dia, as mãos cansadinhas escorregaram e ela caiu. Caiu de rosto na areia. Ralou, cortou, sangrou. Um choro doído invadiu o espaço que antes era só de gritinhos e risadas. Eu, nervosa, mas sabendo que cair também faz parte da infância, também faz parte da vida, fui cuidar, acolher.
Meu papel na hora era exatamente de quem cuida e acolhe. Eu não iria resolver o problema, ninguém iria. O papel ali do cuidador é respeitar, não tentar sufocar o choro. Não falar besteiras e ofender. Entre abraços, lágrimas, colo, voltamos pra casa. Limpamos os machucados e ela se acalmou.
Em nossas conversas, estava presente todo o tempo que cair é difícil mesmo. Dói. Porém que isso acontece com quem se permite aventurar. Acontece com criança que corre, que sobe, que pula. Acontece com criança que brinca. Durante o banho, me lembrei de uma foto de uma criança que havia de machucado, me recordei na hora que o tombo surgiu numa brincadeira de correr e que outra pessoa ainda falou algo como "criança que corre se machuca". Pensando agora, devo ter ouvido tantas vezes que a criança não deve subir, não deve balançar tão alto, não deve correr rápido (como seria correr devagar?) que já perdi as contas. Deve ser muito triste ser criança e não poder experimentar as delícias e as dores da infância. Crescer em um ambiente cercado de medo, ameaça. Quando a gente fala para os pequenos: "Não corram que vocês podem se machucar" estamos usando a ameaça, o nosso medo deles se machucarem. Estamos colocando uma limitação nossa para que a criança não desenvolva. Estamos educando para alimentar o medo, a negatividade. Para não confiar.
A gente também aprende com as quedas, a gente aprende com a dor. Como se levantar, como lidar com aquele momento de dificuldade. A gente aprende inclusive como evitar uma próxima queda pelo mesmo motivo.
Como formamos adultos que lidem melhor com o medo? Com os desafios? Que acreditem que são capazes, que seus corpos funcionam? Como explicamos para as crianças que cair dói, é difícil e passa? Que faz parte da vida? Que não evitamos uma queda apenas deixando de viver? Pra mim não tem teoria, é na experiência.
E quão lindo é poder ver e estar do lado das crianças nesses momentos. Lindo foi vê-la subir levando em conta seu próprio limite, apenas confiando nela mesma. Lindo foi ver seus olhos brilhando a cada conquista. Lindo vê-la sentir-se respeitada, acolhida e pronta.
Bem, eu já passei dessa fase. Eu já aprendi sendo a criança suja, suada e sapeca. Agora é a minha vez de observar, acolher e cuidar sempre que preciso, confiar, respeitar e permitir. <3
Filha, você é mesmo incrível!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Dia das mães RENNER
Tá, as imagens eu achei marromeno. Mas gostei da iniciativa para o dia das mães.
Aqui ó: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iPVUfNchTIw
Porque a beleza é a que sai de dentro pra fora, que te deixa radiante, feliz, iluminada. <3 !
Aqui ó: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iPVUfNchTIw
Porque a beleza é a que sai de dentro pra fora, que te deixa radiante, feliz, iluminada. <3 !
Porque eu amo VALENTE
Baixei esses dias pra Isa ver (e eu também, claro) VALENTE. A gente já tinha visto no cinema e, de cara, amei o filme.
O cabelo cacheado, rebelde, cor de fogo. O jeito dela. A coragem. Seu arco e sua mira. Tudo isso já me fez apaixonar no começo do filme. Com o resto da história não tem como não emocionar. A relação dela com a mãe é algo incrível!
E ela foi uma personagem tão marcante pra gente, gerou muitas conversas.
É um filme feminista, que mostra para as meninas que elas não precisam ser princesas "comportadas" que querem seus vestidos rodados e um príncipe que as salvem. Merida quer viver, quer explorar e em nenhum momento do filme precisa ser salva. Ela toma as rédeas da vida dela, faz as escolhas, luta por elas e assume as consequências,
A Isa que já viu umas 3456789 vezes sempre fica repetindo a frase "Princesa ou não, lutar é essencial." E me pergunta: é mesmo, mãe?
Nossa conversa continua, dizendo as várias formas de luta. E que sim, eu concordo com a frase.
A Bela Adormecida, Branca de Neve e Cinderela foram princesas que retrataram uma época em que para ser uma linda princesa a mulher precisa ser talentosa, delicada, impecável, organizada. Precisa querer ser salva, sonhar com o príncipe em seu cavalo branco que vem, forte, rico, bonito para tirá-la do sofrimento dela. Nenhum desses filmes dá outras possibilidades para as mulheres. E não sei o tamanho da influência deles na infância das nossas crianças, que sonham em ser assim.
Pra piorar, em vários desses contos, as mulheres se odeiam. Elas nunca podem ser parceiras, amáveis. Elas competem. Elas precisam provar que a melhor é que vai ter o príncipe, é a que vai ser rica e famosa. E aí pra chegar no resultado, cara, vale t-u-d-o. Vale mandar arrancar o coração e guardar numa caixinha, vale forçar a ser escrava, estragar roupa, prender em torre.
Mulheres não são competidoras entre si. Aliás, vida não é sobre competir. Sobre quem está na frente. Vida é sobre como lidamos, equilibramos, amamos e aproveitamos nossos momentos. Não quero que minhas filhas aprendam que se forem mais ricas ou mais bonitas serão pessoas melhores, e muito menos, quero que aprendam que o objetivo máximo na vida de uma mulher é ser salva. É esperar pelo seu lindo príncipe encantado.
Por isso, Valente conquistou meu coração em todas as categorias. Mudança de paradigmas. Veremos essas crianças crescendo felizes e livres em uma nova geração. Para isso, não tem outro jeito. É lutando para mudar :-)
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Das frases que inspiram...
"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem." Carlos Drummond de Andrade
Imagina um lugar com espaço e verde. Árvores para subir. Balanço. Parque.
Um lugar com salas com temas diversos e interessantes.
Pessoas que respeitem o tempo e o ritmo.
Onde ao entrar tenha ao menos um bom dia sincero.
Um espaço amoroso. Aberto. Livre.
Crianças correm. Sobem. Lêem.
Brincam. Comem. Aprendem.
Amam. Aproximam. Desafiam.
Descobrem. Conhecem.
A comida é boa e saudável.
Há espaço para cultivar sentimentos e alimentos.
Sempre tem roda de conversa de pequenos, médios e grandes.
Os limites, ah! Os limites! São definidos em conjunto, ninguém é superior a ninguém.
Imaginou?
Era o que eu queria pra escola da minha filha. Das minhas filhas. Ou talvez até pra mim.
Imagina um lugar com espaço e verde. Árvores para subir. Balanço. Parque.
Um lugar com salas com temas diversos e interessantes.
Pessoas que respeitem o tempo e o ritmo.
Onde ao entrar tenha ao menos um bom dia sincero.
Um espaço amoroso. Aberto. Livre.
Crianças correm. Sobem. Lêem.
Brincam. Comem. Aprendem.
Amam. Aproximam. Desafiam.
Descobrem. Conhecem.
A comida é boa e saudável.
Há espaço para cultivar sentimentos e alimentos.
Sempre tem roda de conversa de pequenos, médios e grandes.
Os limites, ah! Os limites! São definidos em conjunto, ninguém é superior a ninguém.
Imaginou?
Era o que eu queria pra escola da minha filha. Das minhas filhas. Ou talvez até pra mim.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Quando escrever no blog?
Cara, preciso postar, eu tenho "trocentas" ideias de assuntos que gostaria de escrever num blog. Educação por exemplo é um tema que eu queria explorar mais, acho tão interessante. Mas tá. Eu não consigo tempo sozinha, em paz, pra escrever. E isso pra mim faz muita diferença...
Eu deveria sentar no computador a noite, né? Crianças dormindo. Todo mundo quieto. Só que eu faço parte de uma parte dos mortais que são mega sonolentos. Desses que quando vê uma cama e um travesseiro já tá sonhando...
Então tá, vou ter que levar o blog assim. Com uns textos incompletos. Mais ou menos. Vez ou outra com mais tempo pra escrever, ou deixando dormindo por 6 meses ou mais. E isso diz tanto de mim... Ai ai ai.
Fui...
ZZZzzzZZZzzz
Eu deveria sentar no computador a noite, né? Crianças dormindo. Todo mundo quieto. Só que eu faço parte de uma parte dos mortais que são mega sonolentos. Desses que quando vê uma cama e um travesseiro já tá sonhando...
Então tá, vou ter que levar o blog assim. Com uns textos incompletos. Mais ou menos. Vez ou outra com mais tempo pra escrever, ou deixando dormindo por 6 meses ou mais. E isso diz tanto de mim... Ai ai ai.
Fui...
ZZZzzzZZZzzz
Obedecer, pra você isso é positivo?
Faz um tempo eu li esse post que me fez pensar muito sobre a palavra obedecer. O texto por si só já seria o bastante para re postar e fazer qualquer um que leia refletir sobre. Eu assisti ao filme que fala neste post, o Compliance e vi também o que tinha de vídeo do que aconteceu de verdade, então vamos lá. Ontem li também este post, que compartilhei inclusive no meu facebook.
O filme que gerou toda reflexão conta a história de um homem nos EUA que passava trotes para lanchonetes fast food e se dizia ser uma autoridade social, um policial, que estava investigando uma funcionária por um suposto roubo. Ele falava com a/o gerente da lanchonete, passava aleatoriamente características físicas de uma funcionária e a/o gerente encaixava alguém que seria a vítima de todo esse conto de terror. Definido quem seria vítima, o suposto policial pedia para chamá-la e mantê-la presa na sala da gerência enquanto inventava desculpas e conduzia quem estivesse na linha a revistá-la intimamente, tirar a roupa, observar, tocar e até forçar ao ato sexual.
Sim, estupro. 70 trotes como esse nos Estados Unidos fizeram pessoas violentarem e estuprarem mulheres apenas se identificando como uma autoridade. O homem que passava esses trotes (vocês podem ver no filme) falava com as pessoas elogiando e se mostrando superior durante toda ligação, que no caso que retrata em Compliance, dura ao todo 4 horas. Parece até mentira.
Resumida a história, vem a minha reflexão, da mulher e mãe de 2 meninas. Por que damos importância a obedecer? Por que ouvimos desde crianças, dos pais, dos professores, e depois quando adulto, de chefes no trabalho que ser obediente é uma coisa boa? Pra quem isso é realmente positivo?
Fiz uma busca rápida no google e aqui o significado da palavra obedecer:
Seguir os comandos,desejos e restrições de alguém.
Submete-se a vontade de outrem,na execução de um ato.
Deixar-se conduzir.
Ser submetido a uma força,
O filme que gerou toda reflexão conta a história de um homem nos EUA que passava trotes para lanchonetes fast food e se dizia ser uma autoridade social, um policial, que estava investigando uma funcionária por um suposto roubo. Ele falava com a/o gerente da lanchonete, passava aleatoriamente características físicas de uma funcionária e a/o gerente encaixava alguém que seria a vítima de todo esse conto de terror. Definido quem seria vítima, o suposto policial pedia para chamá-la e mantê-la presa na sala da gerência enquanto inventava desculpas e conduzia quem estivesse na linha a revistá-la intimamente, tirar a roupa, observar, tocar e até forçar ao ato sexual.
Sim, estupro. 70 trotes como esse nos Estados Unidos fizeram pessoas violentarem e estuprarem mulheres apenas se identificando como uma autoridade. O homem que passava esses trotes (vocês podem ver no filme) falava com as pessoas elogiando e se mostrando superior durante toda ligação, que no caso que retrata em Compliance, dura ao todo 4 horas. Parece até mentira.
Resumida a história, vem a minha reflexão, da mulher e mãe de 2 meninas. Por que damos importância a obedecer? Por que ouvimos desde crianças, dos pais, dos professores, e depois quando adulto, de chefes no trabalho que ser obediente é uma coisa boa? Pra quem isso é realmente positivo?
Fiz uma busca rápida no google e aqui o significado da palavra obedecer:
Seguir os comandos,desejos e restrições de alguém.
Submete-se a vontade de outrem,na execução de um ato.
Deixar-se conduzir.
Ser submetido a uma força,
Isso só pode ser positivo para uma sociedade que não reflete, que não quer pessoas pensantes, que não quer questionar o sistema. Ouvimos aos montes que criança educada é criança com limite, criança que obedece e aí eu retruco: eu não quero filhas obedientes! Eu quero filhas inteligentes, pensantes, críticas e livres. Que se amem. Que não sejam violentadas nem por mim, nem pelo pai, nem professores, nem médicos, nem por nenhuma figura de autoridade por obediência. E não são só os pais que educam assim, a religião, a escola, e todas as grandes instituições.
Essas 70 moças que foram violentadas e estupradas só não saíram do local porque elas (assim como eu) foram educadas para aceitar. Para serem obedientes.
De fato, é mais fácil lidar com quem não questiona, e aí volto a falar das minhas filhas. A pequena ainda não, agora a de 6 anos já noto alguma diferença. Ela não me vê com olhar de temor ou de quem deve acatar qualquer coisa em nome da obediência ou como dizem do "respeito". Respeito não tem nada a ver com isso.Obediência tem a ver com medo nunca com respeito. Respeitar o outro só é possível se respeitando em primeiro lugar. E nós estamos construindo uma nova relação de mãe e filha. Uma relação em que ela tem toda abertura e autonomia para questionar, para opinar, para definir seus limites.
Fazendo um link com meu último post sobre O Renascimento do Parto, essa obediência também tem tudo a ver com nosso sistema obstétrico, com a quantidade absurda de mulheres sendo, de novo, violentadas, abusadas, cortadas e saem caladas e obrigadas a agradecer por estarem vivas. Triste não?
Pra mim, chega disso!
O Renascimento do Parto
Esse filme da Erica de Paula e do Eduardo Chauvet é o que deve quebrar paradigmas do nosso sistema obstétrico. Assim eu acredito. Ele é lindo, tive o gostinho no ENAPARTU que aconteceu em Sorocaba ano passado e, embora não estivesse acabado, já deu pra chorar e emocionar todo mundo que tava na sala.
É um filme que fala sobre os número absurdo de mulheres que se submetem a cesárea como uma via de parto (não, cesárea não é parto. É um procedimento médico, onde a mulher é anestesiada, cortada em 7 camadas, exposta, o bebê é retirado do útero, a mulher é suturada e depois ainda é medicada para evitar dor e infecção). E mostra algumas cenas de parto natural, de parto humanizado.
O Márcio Garcia (ator) dá um depoimento lindo contando sobre os nascimentos dos seus 3 filhos. A Andréia Santa Rosa (nutricionista) que é esposa do ator, optou no terceiro filho pelo parto em casa com parteira, depois de ter passado por uma cesárea e um parto normal hospitalar. Citei o ator porque todo mundo conhece, mas os profissionais da humanização do parto dão um show em suas entrevistas.
Então, por que estou falando disso? Porque o filme precisa arrecadar verba para ser exibido nas telonas em breve. Se pra você é importante melhorar a qualidade do sistema obstétrico brasileiro. Melhorar o tratamento das mulheres na hora de parir (1 em cada 4 sofrem violência obstétrica), melhorar a recepção dos bebês, apóie o projeto!
Violência obstétrica precisa ter fim, mulheres e bebês não podem passar por um momento tão especial sendo tratados como incompetentes e sobreviventes. O momento do parto deve ser visto como íntimo, especial, de transformação. Mulheres não precisam achar que o parto é dor e sofrimento, porque acredite, sendo tratadas com respeito não tem nada de sofrido em parir. O parto é um banho de ocitocina (o hormônio do amor - aquele que a gente libera quando amamenta, beija e tem relação sexual), pode doer, mas é uma explosão de limites, de vontades, que precisa ser respeitada.
Pra quem quer ajudar mais gente ter acesso a informação de qualidade sobre parto, aqui está o link do projeto. Você pode ajudar também divulgando.
http://benfeitoria.com/o-renascimento-do-parto
Assista o promocional e depois me conte se não sentiu nem uma pontinha de vontade de ir pro cinema correndo pra ver a obra pronta ;-)
Reportagem na revista TPM: http://revistatpm.uol.com.br/entrevistas/o-renascimento-do-parto.html
PS.: Não tem nada a ver ser mais ou menos mãe quem pariu ou teve uma cesárea. Apenas ser mais ou menos respeitada.
PS 2: Eu colaborei ontem. E estou mega ansiosa pra ver a quantia integral ser conquistada ;-)
PS 3: Coisa mais linda ver essa rede toda por uma causa e conseguir mais 90% em poucos dias. Quão forte somos juntos? Bora lá mudar o mundo, mesmo que aos poucos!
terça-feira, 23 de abril de 2013
Papo da Isa
Hoje voltando da escola com a Isa ela me conta:
_ mamãe, eu tava brincando de pega pega e peguei uma pessoa que me falaram que eu não podia pegar. Aí eu falei que ia sair da brincadeira e não deixaram. Me falaram que eu não podia parar de brincar. Eu falei que podia sim, que ninguém manda na minha vida e saí.
<3 !!!!
_ mamãe, eu tava brincando de pega pega e peguei uma pessoa que me falaram que eu não podia pegar. Aí eu falei que ia sair da brincadeira e não deixaram. Me falaram que eu não podia parar de brincar. Eu falei que podia sim, que ninguém manda na minha vida e saí.
<3 !!!!
Meu aniversário
É, ontem eu completei 26 anos! 26 anos de mudanças, 26 anos de sonhos, 26 anos de realizações, de dificuldades, de amor, de intensidade.
Eu adoro fazer aniversário. Quando era criança o barato era esperar os presentes, eu me lembro da sensação de abrir pacotes e, de vez ou outra, ganhar algo que brilhasse em meus olhos. Lembro de uma boneca, a Babi, que foi minha companheirinha. Que tomava água e fazia xixi. Foi minha boneca preferida durante muitos anos.
Eu fui uma criança bastante moleca, subi em árvores, muros, parques. Pendurava de cabeça pra cima e cabeça pra baixo. Virava estrela, cambalhotava por aí. E tudo isso me marcou muito, muito mesmo.
E agora, minha filhota 1 começou com suas sapequices. E como acho lindo poder ver isso! Ontem ela escalou a porta, subiu até bater a cabeça na parte superior! Semana passada, virou de ponta cabeça no trepa trepa. É a vez dela descobrir os limites e possibilidades do corpo.
Eu acredito que essa formação com essas sapequices faça diferença, acho muito importante pra criança correr, saltar, virar cambalhota. E é maravilhoso ver o rostinho satisfeito com uma arte dessas.
E a vida se renova. Se renova aniversariando e vendo essas coisas lindas. Ficando mais velha sem perder a criança dentro de nós.
Ontem eu não abri ansiosa pacotes, não brinquei sapeca em uma festa de aniversário nem escalei portas de casa ou brinquedos no parque, mas algo me lembrou a infância... Talvez o bilhete escrito FELIANIVRSARIO MAMAE com letrinhas tortas, belas e inocentes. Talvez o dia parado, em casa, olhando as meninas. Talvez os recados lindos de parabéns que recebi, que me pareceram pacotes de presentes. A sensação ao ler cada recadinho era a de explorar mais uma caixa de surpresa. E como eu amo essa sensação. Alguns mais inspiradores, outros recatados. Alguns com desejos ousados, outros mais básicos, mas todos de alguma forma me trouxeram o brilho da infância no olhar. Mesmo completando meus 26 anos.
Obrigada!
Eu adoro fazer aniversário. Quando era criança o barato era esperar os presentes, eu me lembro da sensação de abrir pacotes e, de vez ou outra, ganhar algo que brilhasse em meus olhos. Lembro de uma boneca, a Babi, que foi minha companheirinha. Que tomava água e fazia xixi. Foi minha boneca preferida durante muitos anos.
Eu fui uma criança bastante moleca, subi em árvores, muros, parques. Pendurava de cabeça pra cima e cabeça pra baixo. Virava estrela, cambalhotava por aí. E tudo isso me marcou muito, muito mesmo.
E agora, minha filhota 1 começou com suas sapequices. E como acho lindo poder ver isso! Ontem ela escalou a porta, subiu até bater a cabeça na parte superior! Semana passada, virou de ponta cabeça no trepa trepa. É a vez dela descobrir os limites e possibilidades do corpo.
Eu acredito que essa formação com essas sapequices faça diferença, acho muito importante pra criança correr, saltar, virar cambalhota. E é maravilhoso ver o rostinho satisfeito com uma arte dessas.
E a vida se renova. Se renova aniversariando e vendo essas coisas lindas. Ficando mais velha sem perder a criança dentro de nós.
Ontem eu não abri ansiosa pacotes, não brinquei sapeca em uma festa de aniversário nem escalei portas de casa ou brinquedos no parque, mas algo me lembrou a infância... Talvez o bilhete escrito FELIANIVRSARIO MAMAE com letrinhas tortas, belas e inocentes. Talvez o dia parado, em casa, olhando as meninas. Talvez os recados lindos de parabéns que recebi, que me pareceram pacotes de presentes. A sensação ao ler cada recadinho era a de explorar mais uma caixa de surpresa. E como eu amo essa sensação. Alguns mais inspiradores, outros recatados. Alguns com desejos ousados, outros mais básicos, mas todos de alguma forma me trouxeram o brilho da infância no olhar. Mesmo completando meus 26 anos.
Obrigada!
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Texto informativo: Parto domiciliar: direito reprodutivo e evidências
http://guiadobebe.uol.com.br/parto-domiciliar-direito-reprodutivo-e-evidencias/
Parto Domiciliar: direito reprodutivo e evidências
O parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco
atendidas por profissionais qualificados e é um direito da mulher.
“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao
passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma
via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones
Daniela Leal e Alexandre Amaral, psicólogos, no nascimento domiciliar de
Ravi.
Foto: Divulgação
A discussão sobre o local de parto deve se pautar, essencialmente, em dois
níveis: respeito à autonomia e ao protagonismo feminino, uma vez que a
escolha do local de parto é um direito reprodutivo básico; e
reconhecimento e adequada interpretação das evidências comparando partos
domiciliares planejados e partos hospitalares em gestantes de baixo risco.
Não se compreende mais na atualidade o processo de tomada de decisão
baseado exclusivamente nas concepções e na experiência do prestador de
cuidado, uma vez que, por definição, Medicina Baseada em Evidências
consiste na integração harmoniosa da experiência clínica individual com as
melhores evidências científicas correntemente disponíveis e com as
características e expectativas dos pacientes.
Apesar da posição contrária de alguns conselhos regionais de Medicina e da
Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo), que vêm sistematicamente desaconselhando o parto domiciliar,
devemos destacar que tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como a
Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) respeitam o
direito de escolha do local de parto pelas mulheres e reconhecem que,
quando assistido por profissionais habilitados, há benefícios
consideráveis para as mulheres que querem e podem ter partos domiciliares.
A OMS reconhece como profissionais habilitados para prestar assistência ao
parto tanto médicos como enfermeiras-obstetras e parteiras e recomenda que
as mulheres podem escolher ter seus partos em casa se elas têm gestações
de baixo-risco, recebem o nível apropriado de cuidado e formulam planos de
contingência para transferência para uma unidade de saúde devidamente
equipada se surgem problemas durante o parto(1–3). Por sua vez, a FIGO
recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e
no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura”
(4). Outras sociedades no mundo, como o American College of Nurse Midwives
(5), a American Public Health Association (6), o Royal College of Midwives
(RCM) e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) (7)
apoiam o parto domiciliar para mulheres com gestações não complicadas. De
acordo com a diretriz do RCM e do RCOG, “não há motivos para que o parto
domiciliar não seja oferecido a mulheres de baixo risco, uma vez que pode
conferir consideráveis benefícios para estas e suas famílias” (7).
Mesmo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG),
conquanto explicite que considera hospitais e centros de parto normal mais
seguros, reconhece o direito das mulheres de escolher o local do parto.
Citando literalmente o resumo da diretriz, publicada em fevereiro de 2011:
“Embora o Comitê de Prática Obstétrica acredite que os hospitais e centros
de parto normal sejam os locais mais seguros para o nascimento, ele
respeita o direito de uma mulher de tomar uma decisão medicamente
informada sobre o parto. Mulheres questionando sobre o parto domiciliar
planejado deveriam ser informadas sobre os seus riscos e benefícios
baseados nas recentes evidências. Especificamente, elas deveriam ser
informadas que embora o risco absoluto possa ser baixo, o parto domiciliar
planejado está associado com um risco duas a três vezes maior de morte
neonatal quando comparado com o parto hospitalar planejado. É importante
que as mulheres devam ser informadas que a adequada seleção de candidatas
para o parto domiciliar; a disponibilidade de enfermeiras-obstetras ou
parteiras certificadas, ou médicos atuando dentro de um sistema de saúde
integrado e regulado; o pronto acesso à consulta; e a garantia de
transporte seguro e rápido para os hospitais mais próximos são críticos
para reduzir as taxas de mortalidade perinatal e obter desfechos
favoráveis do parto domiciliar.” (8)
Em relação às evidências, a despeito dos temores do ACOG, devemos destacar
que essa conclusão de aumento do risco de morte neonatal se baseia
unicamente nos resultados da controvertida metanálise publicada em 2010
por Wax et al. no American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG)
(9). O problema é que essa metanálise, que incluiu 12 estudos originais e
um total de 342.056 partos domiciliares e 207.551 partos hospitalares
planejados, apresentou diversos vieses e erros metodológicos grosseiros.
Os autores concluíram que os partos domiciliares planejados se associam
com menor risco de intervenções maternas, incluindo analgesia peridural,
monitoração eletrônica fetal, episiotomia, parto operatório, além de menor
frequência de lacerações, hemorragia e infecções. Dentre os desfechos
neonatais dos partos domiciliares planejados, verificou-se menor taxa de
prematuridade, baixo peso ao nascer e necessidade de ventilação assistida.
No entanto, apesar de as taxas de mortalidade perinatal serem semelhantes
entre partos domiciliares e partos hospitalares, os partos domiciliares se
associaram com aumento de cerca de três vezes das taxas de mortalidade
neonatal.
O artigo em questão gerou intensa polêmica na comunidade científica
internacional, seguindo-se diversas cartas publicadas em sequência no
próprio AJOG, das quais uma tem o provocativo título “Parto domiciliar
triplica a taxa de morte neonatal: comunicação pública ou má
ciência?”(10). Diante de todas as críticas, o AJOG resolveu investigar o
estudo em questão, e a revisão pós-publicação de fato encontrou erros na
análise original, embora não tenha alterado suas conclusões. A
conceituadíssima revista Nature se interessou pela questão, porém mesmo
solicitando diversas vezes que tanto Wax como o ACOG comentassem os
problemas apontados por vários especialistas, esses declinaram o convite.
A Elsevier, editora que publica a revista, reconhece os erros, mas não
acredita que esses possam motivar uma retratação (11).
Tentando resumir a enorme quantidade de críticas feitas à metanálise de
Wax, podemos afirmar que, à diferença das revisões sistemáticas da
Cochrane, essa não seguiu as diretrizes estabelecidas internacionalmente
para condução e publicação de metanálise, como o PRISMA (Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) ou o MOOSE
(Meta-Analyses and Systematic Reviews of Observational Studies). Diversos
erros estatísticos foram cometidos, até porque os autores utilizaram uma
calculadora para a metanálise que apresenta vários problemas, resultando
em Odds Ratio e intervalos de confiança incorretos, o que foi reconhecido
pelo próprio autor do programa. No entanto, o principal erro enviesando a
análise não foi estatístico, e sim um viés de seleção dos estudos, porque
os autores da metanálise excluíram o grande estudo de coorte holandês com
mais de 500.000 partos do cálculo do risco de morte neonatal, embora o
tenham incluído no cálculo do risco de morte perinatal. Na verdade, os
dados da metanálise são contraditórios em relação à morte neonatal e
perinatal basicamente porque os autores definiram morte perinatal como
morte fetal depois de 20 semanas ou a morte de um recém-nascido (RN) vivo
nos primeiros 28 dias de vida, em vez de nos primeiros sete dias de vida,
como é a recomendação internacional. Por outro lado, outros estudos usados
para calcular o risco de morte neonatal foram incorretamente incluídos e
outros que poderiam ter sido incluídos para o cálculo de morte perinatal
foram excluídos, por razões que não ficam bem claras. Os dados utilizados
para o cálculo de morte neonatal incluíram partos que não tinham sido
assistidos por parteiras ou enfermeiras-obstetras certificadas, o que já
se demonstrou ser fator importante para redução dos riscos. Mesmo
revisando os dados e apresentando os gráficos em uma publicação ulterior
na revista com os novos números calculados corretamente, isso não resolve
os sérios problemas metodológicos pertinentes à definição de termos e
critérios de inclusão e exclusão.
Em suma, como refere Keirse em seu brilhante artigo publicado na Birth em
Dezembro de 2010 (“Home Birth: Gone Away, Gone Astray, and Here To Stay”)
“combinar estudos de parto domiciliar e hospitalar, sem diferenciar o que
está dentro deles, onde eles estão e o que os circunda, é semelhante a
produzir uma salada de frutas com batatas, abacaxi e salsão”. (12)
O fato é que, à parte a enviesadíssima metanálise de Wax et al., todos os
grandes estudos observacionais publicados reforçam as vantagens do parto
domiciliar em termos de desfechos maternos, resultando em menor taxa de
intervenções como episiotomia, analgesia, uso de ocitocina, operação
cesariana e parto instrumental (fórceps e vácuo-extrator), sem aumento do
risco de complicações para mães e bebês e com elevado grau de satisfação
das usuárias que passaram por essa experiência (13–15). Dentre esses
estudos, destacamos o estudo holandês (de Jonge et al.), publicado em
2009, envolvendo mais de 500.000 partos (16), e que foi arbitrariamente
excluído da metanálise, como já apontamos anteriormente, e os estudos mais
recentes, publicados em 2011, o do National Health System (NHS) no Reino
Unido (mais de 60.000 partos) (17) e outro grande estudo de coorte
holandês com mais de 679.000 partos (18). Nesse último estudo,
evidenciou-se uma mortalidade perinatal de 0,15% em partos domiciliares
planejados contra 0,18% em partos hospitalares planejados em parturientes
de baixo risco. O fato é que, infelizmente, mesmo com a melhor
assistência, 15-18 em cada 10.000 RN irão morrer, quer nasçam em casa quer
no hospital, mesmo em países desenvolvidos como a Holanda, não havendo
diferença significativa nessa mortalidade de acordo com o local de parto.
Essa ausência de diferença relevante no prognóstico perinatal foi
corroborada na revisão sistemática publicada em 2012, envolvendo 22
grandes estudos observacionais que compararam os desfechos maternos e
perinatais de partos extra-hospitalares (domiciliares ou em casas de
parto) assistidos por obstetrizes (modelo não médico) com partos
intra-hospitalares assistidos por médicos (19). A conclusão dessa revisão
sistemática é que mulheres de baixo risco atendidas em casas de parto ou
domicílio por obstetrizes certificadas passam por menor número de
intervenções obstétricas e têm maior chance de ter partos normais do que
mulheres de baixo risco recebendo o atendimento obstétrico padrão em
hospitais. Nenhuma diferença na mortalidade perinatal foi encontrada.
Reforça-se a importância do treinamento adequado das obstetrizes para a
identificação e o pronto tratamento de eventuais complicações intraparto
(19).
Embora a utilização de evidências de estudos observacionais possa ser alvo
de críticas, o fato é que não dispomos de ensaios clínicos randomizados
(ECR) comparando partos domiciliares vs. hospitalares. Um único ECR foi
publicado e incluído na revisão sistemática da Biblioteca Cochrane, porém
só conseguiu avaliar 11 mulheres (20). De fato, alguns especialistas podem
considerar difícil elaborar recomendações fortes com base em evidências
fracas, oriundas de estudos observacionais, mas o mínimo que profissionais
e sociedades deveriam reconhecer é que também não dispomos de evidências
fortes corroborando a segurança do parto hospitalar para parturientes de
baixo risco e seus neonatos.
No entanto, randomizar mulheres para parto domiciliar ou hospitalar é
virtualmente impossível: de acordo com Keirse, essas mulheres para quem
“tanto faz” parir em casa como no hospital seriam “tão raras quanto
elefantes brancos”, mas mesmo que essas mulheres fossem encontradas,
dificilmente as conclusões de um ensaio clínico randomizado com essa
amostra poderiam ser extrapoladas para mulheres diferentes em situações e
contextos clínicos diferentes. Mulheres que DESEJAM ter seus bebês em casa
diferem substancialmente daquelas que escolhem um parto hospitalar, da
mesma forma que os profissionais que prestam assistência a partos
domiciliares ou exclusivamente a partos hospitalares também são bastante
diferentes entre si.
Na prática, devemos considerar que tanto gestantes como profissionais de
saúde têm sempre o mesmo e primaz objetivo de garantir uma experiência de
parto satisfatória, com mãe e bebê saudáveis. Por outro lado, é um direito
reprodutivo básico para as mulheres poder escolher como e onde irão dar à
luz. Essa escolha deve ser informada pelas melhores evidências
correntemente disponíveis, e essas evidências sugerem, sem se considerar a
metanálise equivocada de Wax et al., que o parto domiciliar é uma opção
segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais
qualificados. Como vantagens em relação ao parto hospitalar se destacam a
menor frequência de intervenções para a mãe e o conforto e a satisfação
das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu
próprio lar. As taxas de mortalidade perinatal e neonatal são semelhantes
àquelas observadas em partos hospitalares de baixo risco. No entanto, a
decisão final deve se basear tanto nas evidências como nas características
e expectativas das gestantes, bem como na experiência e qualificação dos
prestadores e nas facilidades de acesso aos serviços de saúde.
De fato, o parto domiciliar planejado não somente continua acontecendo no
Brasil, como vem crescendo o número de mulheres que optam por essa
alternativa, apesar de ainda não dispormos de estatísticas confiáveis
sobre o número exato, uma vez que os nossos sistemas de informação não
permitem ainda distinguir partos domiciliares planejados dos não
planejados e ocorridos sem assistência. No entanto, com o acesso amplo à
Internet e o constante debate nas redes sociais, diversas mulheres têm
compartilhado e comparado as suas experiências de parto em nosso país.
Existe uma parcela crescente de mulheres insatisfeitas com o atual modelo
de assistência obstétrica, excessivamente tecnocrático e caracterizado,
por um lado, pelas taxas de cesárea inaceitavelmente elevadas no setor
privado (mais de 80%) e, por outro, pelos partos traumáticos e com excesso
de intervenções no Sistema Público de Saúde. Apesar da política de
Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento preconizada pelo
Ministério da Saúde no Brasil (21), é fato que o modelo atual,
hospitalocêntrico e medicalocêntrico, não permite ainda à maior parte das
usuárias ter uma assistência ao parto humanizada e segura. Vivemos ainda
em um país onde, "quando não se corta por cima, se corta por baixo", como
bem definem Diniz e Chachan, referindo-se às cesáreas e episiotomias
desnecessárias (22). Mais ainda, vivenciamos o chamado “paradoxo perinatal
brasileiro”, uma vez que apesar de termos 98% de partos hospitalares e da
adoção indiscriminada da tecnologia para assistência ao parto, a
mortalidade materna e neonatal persistem elevadas (23).
Para completar, uma em cada quatro mulheres brasileiras internadas para
assistência ao parto em hospitais públicos ou privados relata ter sofrido
violência institucional, traduzida por qualquer forma de agressão
perpetrada pelos profissionais de saúde que lhe prestam atendimento. Essas
agressões não envolvem apenas o uso de procedimentos, técnicas e exames
dolorosos e desnecessários, mas até ironias, gritos e tratamentos
grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele
(24). A violência institucional durante o parto pode assumir múltiplas
facetas e representa um problema internacionalmente reconhecido (25). Em
diversos hospitais ainda não se permite a presença do acompanhante, mesmo
com a Lei 11.108/2005 estabelecendo a obrigatoriedade de tanto hospitais
públicos como privados permitirem a presença, junto à parturiente, de um
acompanhante durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato
(26).
O atual modelo de assistência ao parto em nosso País é assustador, com os
52% de cesarianas (27) contrastando com uma mortalidade materna em torno
de 70 para 100.000 nascidos vivos (28, 29) Mais ainda, embora falido e não
sustentável em longo prazo, permite ainda a muitos profissionais soluções
cômodas a que esses se aferram, de dentro de sua zona de conforto, como a
praticidade e a conveniência de programar cesarianas eletivas sem
indicação médica definida. Curiosamente, são esses os mesmos profissionais
que defendem o "direito" da mulher de escolher sua via de parto, embora
aparentemente este direito tenha mão única, só valha para a minoria de
mulheres que desejam uma cesariana e não inclua aquelas que desejam um
parto normal nem tampouco se estenda para a decisão sobre o local de parto
(30). A voz das mulheres e o seu direito de escolha têm sido grandemente
ignorados (31).
O debate em torno do parto domiciliar, não apenas no Brasil, mas em todo o
mundo, tem se tornado extremamente polarizado e politizado. Impõe-se o seu
direcionamento sob uma perspectiva mais racional, focada em evidências.
Nossa intenção é promover ampla discussão com toda a sociedade, tentando
estabelecer um consenso, visando a garantir o respeito a um direito
reprodutivo básico, qual seja a escolha do local de parto, mas também a
implementar estratégias para aumentar a segurança e a satisfação das
usuárias em TODOS os partos (12). Isso inclui tanto melhorar e humanizar a
atenção hospitalar no sentido de que os partos assistidos em maternidades
ou centros de parto normal possam representar uma experiência gratificante
para as mulheres, como estabelecer diretrizes para a seleção adequada das
candidatas ao parto domiciliar e um atendimento obstétrico seguro e de
qualidade em domicílio.
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Melania Maria Ramos de Amorim
MD, PhD
Veja Perfil Completo.
Parto Domiciliar: direito reprodutivo e evidências
O parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco
atendidas por profissionais qualificados e é um direito da mulher.
“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao
passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma
via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones
Daniela Leal e Alexandre Amaral, psicólogos, no nascimento domiciliar de
Ravi.
Foto: Divulgação
A discussão sobre o local de parto deve se pautar, essencialmente, em dois
níveis: respeito à autonomia e ao protagonismo feminino, uma vez que a
escolha do local de parto é um direito reprodutivo básico; e
reconhecimento e adequada interpretação das evidências comparando partos
domiciliares planejados e partos hospitalares em gestantes de baixo risco.
Não se compreende mais na atualidade o processo de tomada de decisão
baseado exclusivamente nas concepções e na experiência do prestador de
cuidado, uma vez que, por definição, Medicina Baseada em Evidências
consiste na integração harmoniosa da experiência clínica individual com as
melhores evidências científicas correntemente disponíveis e com as
características e expectativas dos pacientes.
Apesar da posição contrária de alguns conselhos regionais de Medicina e da
Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo), que vêm sistematicamente desaconselhando o parto domiciliar,
devemos destacar que tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como a
Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) respeitam o
direito de escolha do local de parto pelas mulheres e reconhecem que,
quando assistido por profissionais habilitados, há benefícios
consideráveis para as mulheres que querem e podem ter partos domiciliares.
A OMS reconhece como profissionais habilitados para prestar assistência ao
parto tanto médicos como enfermeiras-obstetras e parteiras e recomenda que
as mulheres podem escolher ter seus partos em casa se elas têm gestações
de baixo-risco, recebem o nível apropriado de cuidado e formulam planos de
contingência para transferência para uma unidade de saúde devidamente
equipada se surgem problemas durante o parto(1–3). Por sua vez, a FIGO
recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e
no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura”
(4). Outras sociedades no mundo, como o American College of Nurse Midwives
(5), a American Public Health Association (6), o Royal College of Midwives
(RCM) e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) (7)
apoiam o parto domiciliar para mulheres com gestações não complicadas. De
acordo com a diretriz do RCM e do RCOG, “não há motivos para que o parto
domiciliar não seja oferecido a mulheres de baixo risco, uma vez que pode
conferir consideráveis benefícios para estas e suas famílias” (7).
Mesmo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG),
conquanto explicite que considera hospitais e centros de parto normal mais
seguros, reconhece o direito das mulheres de escolher o local do parto.
Citando literalmente o resumo da diretriz, publicada em fevereiro de 2011:
“Embora o Comitê de Prática Obstétrica acredite que os hospitais e centros
de parto normal sejam os locais mais seguros para o nascimento, ele
respeita o direito de uma mulher de tomar uma decisão medicamente
informada sobre o parto. Mulheres questionando sobre o parto domiciliar
planejado deveriam ser informadas sobre os seus riscos e benefícios
baseados nas recentes evidências. Especificamente, elas deveriam ser
informadas que embora o risco absoluto possa ser baixo, o parto domiciliar
planejado está associado com um risco duas a três vezes maior de morte
neonatal quando comparado com o parto hospitalar planejado. É importante
que as mulheres devam ser informadas que a adequada seleção de candidatas
para o parto domiciliar; a disponibilidade de enfermeiras-obstetras ou
parteiras certificadas, ou médicos atuando dentro de um sistema de saúde
integrado e regulado; o pronto acesso à consulta; e a garantia de
transporte seguro e rápido para os hospitais mais próximos são críticos
para reduzir as taxas de mortalidade perinatal e obter desfechos
favoráveis do parto domiciliar.” (8)
Em relação às evidências, a despeito dos temores do ACOG, devemos destacar
que essa conclusão de aumento do risco de morte neonatal se baseia
unicamente nos resultados da controvertida metanálise publicada em 2010
por Wax et al. no American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG)
(9). O problema é que essa metanálise, que incluiu 12 estudos originais e
um total de 342.056 partos domiciliares e 207.551 partos hospitalares
planejados, apresentou diversos vieses e erros metodológicos grosseiros.
Os autores concluíram que os partos domiciliares planejados se associam
com menor risco de intervenções maternas, incluindo analgesia peridural,
monitoração eletrônica fetal, episiotomia, parto operatório, além de menor
frequência de lacerações, hemorragia e infecções. Dentre os desfechos
neonatais dos partos domiciliares planejados, verificou-se menor taxa de
prematuridade, baixo peso ao nascer e necessidade de ventilação assistida.
No entanto, apesar de as taxas de mortalidade perinatal serem semelhantes
entre partos domiciliares e partos hospitalares, os partos domiciliares se
associaram com aumento de cerca de três vezes das taxas de mortalidade
neonatal.
O artigo em questão gerou intensa polêmica na comunidade científica
internacional, seguindo-se diversas cartas publicadas em sequência no
próprio AJOG, das quais uma tem o provocativo título “Parto domiciliar
triplica a taxa de morte neonatal: comunicação pública ou má
ciência?”(10). Diante de todas as críticas, o AJOG resolveu investigar o
estudo em questão, e a revisão pós-publicação de fato encontrou erros na
análise original, embora não tenha alterado suas conclusões. A
conceituadíssima revista Nature se interessou pela questão, porém mesmo
solicitando diversas vezes que tanto Wax como o ACOG comentassem os
problemas apontados por vários especialistas, esses declinaram o convite.
A Elsevier, editora que publica a revista, reconhece os erros, mas não
acredita que esses possam motivar uma retratação (11).
Tentando resumir a enorme quantidade de críticas feitas à metanálise de
Wax, podemos afirmar que, à diferença das revisões sistemáticas da
Cochrane, essa não seguiu as diretrizes estabelecidas internacionalmente
para condução e publicação de metanálise, como o PRISMA (Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) ou o MOOSE
(Meta-Analyses and Systematic Reviews of Observational Studies). Diversos
erros estatísticos foram cometidos, até porque os autores utilizaram uma
calculadora para a metanálise que apresenta vários problemas, resultando
em Odds Ratio e intervalos de confiança incorretos, o que foi reconhecido
pelo próprio autor do programa. No entanto, o principal erro enviesando a
análise não foi estatístico, e sim um viés de seleção dos estudos, porque
os autores da metanálise excluíram o grande estudo de coorte holandês com
mais de 500.000 partos do cálculo do risco de morte neonatal, embora o
tenham incluído no cálculo do risco de morte perinatal. Na verdade, os
dados da metanálise são contraditórios em relação à morte neonatal e
perinatal basicamente porque os autores definiram morte perinatal como
morte fetal depois de 20 semanas ou a morte de um recém-nascido (RN) vivo
nos primeiros 28 dias de vida, em vez de nos primeiros sete dias de vida,
como é a recomendação internacional. Por outro lado, outros estudos usados
para calcular o risco de morte neonatal foram incorretamente incluídos e
outros que poderiam ter sido incluídos para o cálculo de morte perinatal
foram excluídos, por razões que não ficam bem claras. Os dados utilizados
para o cálculo de morte neonatal incluíram partos que não tinham sido
assistidos por parteiras ou enfermeiras-obstetras certificadas, o que já
se demonstrou ser fator importante para redução dos riscos. Mesmo
revisando os dados e apresentando os gráficos em uma publicação ulterior
na revista com os novos números calculados corretamente, isso não resolve
os sérios problemas metodológicos pertinentes à definição de termos e
critérios de inclusão e exclusão.
Em suma, como refere Keirse em seu brilhante artigo publicado na Birth em
Dezembro de 2010 (“Home Birth: Gone Away, Gone Astray, and Here To Stay”)
“combinar estudos de parto domiciliar e hospitalar, sem diferenciar o que
está dentro deles, onde eles estão e o que os circunda, é semelhante a
produzir uma salada de frutas com batatas, abacaxi e salsão”. (12)
O fato é que, à parte a enviesadíssima metanálise de Wax et al., todos os
grandes estudos observacionais publicados reforçam as vantagens do parto
domiciliar em termos de desfechos maternos, resultando em menor taxa de
intervenções como episiotomia, analgesia, uso de ocitocina, operação
cesariana e parto instrumental (fórceps e vácuo-extrator), sem aumento do
risco de complicações para mães e bebês e com elevado grau de satisfação
das usuárias que passaram por essa experiência (13–15). Dentre esses
estudos, destacamos o estudo holandês (de Jonge et al.), publicado em
2009, envolvendo mais de 500.000 partos (16), e que foi arbitrariamente
excluído da metanálise, como já apontamos anteriormente, e os estudos mais
recentes, publicados em 2011, o do National Health System (NHS) no Reino
Unido (mais de 60.000 partos) (17) e outro grande estudo de coorte
holandês com mais de 679.000 partos (18). Nesse último estudo,
evidenciou-se uma mortalidade perinatal de 0,15% em partos domiciliares
planejados contra 0,18% em partos hospitalares planejados em parturientes
de baixo risco. O fato é que, infelizmente, mesmo com a melhor
assistência, 15-18 em cada 10.000 RN irão morrer, quer nasçam em casa quer
no hospital, mesmo em países desenvolvidos como a Holanda, não havendo
diferença significativa nessa mortalidade de acordo com o local de parto.
Essa ausência de diferença relevante no prognóstico perinatal foi
corroborada na revisão sistemática publicada em 2012, envolvendo 22
grandes estudos observacionais que compararam os desfechos maternos e
perinatais de partos extra-hospitalares (domiciliares ou em casas de
parto) assistidos por obstetrizes (modelo não médico) com partos
intra-hospitalares assistidos por médicos (19). A conclusão dessa revisão
sistemática é que mulheres de baixo risco atendidas em casas de parto ou
domicílio por obstetrizes certificadas passam por menor número de
intervenções obstétricas e têm maior chance de ter partos normais do que
mulheres de baixo risco recebendo o atendimento obstétrico padrão em
hospitais. Nenhuma diferença na mortalidade perinatal foi encontrada.
Reforça-se a importância do treinamento adequado das obstetrizes para a
identificação e o pronto tratamento de eventuais complicações intraparto
(19).
Embora a utilização de evidências de estudos observacionais possa ser alvo
de críticas, o fato é que não dispomos de ensaios clínicos randomizados
(ECR) comparando partos domiciliares vs. hospitalares. Um único ECR foi
publicado e incluído na revisão sistemática da Biblioteca Cochrane, porém
só conseguiu avaliar 11 mulheres (20). De fato, alguns especialistas podem
considerar difícil elaborar recomendações fortes com base em evidências
fracas, oriundas de estudos observacionais, mas o mínimo que profissionais
e sociedades deveriam reconhecer é que também não dispomos de evidências
fortes corroborando a segurança do parto hospitalar para parturientes de
baixo risco e seus neonatos.
No entanto, randomizar mulheres para parto domiciliar ou hospitalar é
virtualmente impossível: de acordo com Keirse, essas mulheres para quem
“tanto faz” parir em casa como no hospital seriam “tão raras quanto
elefantes brancos”, mas mesmo que essas mulheres fossem encontradas,
dificilmente as conclusões de um ensaio clínico randomizado com essa
amostra poderiam ser extrapoladas para mulheres diferentes em situações e
contextos clínicos diferentes. Mulheres que DESEJAM ter seus bebês em casa
diferem substancialmente daquelas que escolhem um parto hospitalar, da
mesma forma que os profissionais que prestam assistência a partos
domiciliares ou exclusivamente a partos hospitalares também são bastante
diferentes entre si.
Na prática, devemos considerar que tanto gestantes como profissionais de
saúde têm sempre o mesmo e primaz objetivo de garantir uma experiência de
parto satisfatória, com mãe e bebê saudáveis. Por outro lado, é um direito
reprodutivo básico para as mulheres poder escolher como e onde irão dar à
luz. Essa escolha deve ser informada pelas melhores evidências
correntemente disponíveis, e essas evidências sugerem, sem se considerar a
metanálise equivocada de Wax et al., que o parto domiciliar é uma opção
segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais
qualificados. Como vantagens em relação ao parto hospitalar se destacam a
menor frequência de intervenções para a mãe e o conforto e a satisfação
das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu
próprio lar. As taxas de mortalidade perinatal e neonatal são semelhantes
àquelas observadas em partos hospitalares de baixo risco. No entanto, a
decisão final deve se basear tanto nas evidências como nas características
e expectativas das gestantes, bem como na experiência e qualificação dos
prestadores e nas facilidades de acesso aos serviços de saúde.
De fato, o parto domiciliar planejado não somente continua acontecendo no
Brasil, como vem crescendo o número de mulheres que optam por essa
alternativa, apesar de ainda não dispormos de estatísticas confiáveis
sobre o número exato, uma vez que os nossos sistemas de informação não
permitem ainda distinguir partos domiciliares planejados dos não
planejados e ocorridos sem assistência. No entanto, com o acesso amplo à
Internet e o constante debate nas redes sociais, diversas mulheres têm
compartilhado e comparado as suas experiências de parto em nosso país.
Existe uma parcela crescente de mulheres insatisfeitas com o atual modelo
de assistência obstétrica, excessivamente tecnocrático e caracterizado,
por um lado, pelas taxas de cesárea inaceitavelmente elevadas no setor
privado (mais de 80%) e, por outro, pelos partos traumáticos e com excesso
de intervenções no Sistema Público de Saúde. Apesar da política de
Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento preconizada pelo
Ministério da Saúde no Brasil (21), é fato que o modelo atual,
hospitalocêntrico e medicalocêntrico, não permite ainda à maior parte das
usuárias ter uma assistência ao parto humanizada e segura. Vivemos ainda
em um país onde, "quando não se corta por cima, se corta por baixo", como
bem definem Diniz e Chachan, referindo-se às cesáreas e episiotomias
desnecessárias (22). Mais ainda, vivenciamos o chamado “paradoxo perinatal
brasileiro”, uma vez que apesar de termos 98% de partos hospitalares e da
adoção indiscriminada da tecnologia para assistência ao parto, a
mortalidade materna e neonatal persistem elevadas (23).
Para completar, uma em cada quatro mulheres brasileiras internadas para
assistência ao parto em hospitais públicos ou privados relata ter sofrido
violência institucional, traduzida por qualquer forma de agressão
perpetrada pelos profissionais de saúde que lhe prestam atendimento. Essas
agressões não envolvem apenas o uso de procedimentos, técnicas e exames
dolorosos e desnecessários, mas até ironias, gritos e tratamentos
grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele
(24). A violência institucional durante o parto pode assumir múltiplas
facetas e representa um problema internacionalmente reconhecido (25). Em
diversos hospitais ainda não se permite a presença do acompanhante, mesmo
com a Lei 11.108/2005 estabelecendo a obrigatoriedade de tanto hospitais
públicos como privados permitirem a presença, junto à parturiente, de um
acompanhante durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato
(26).
O atual modelo de assistência ao parto em nosso País é assustador, com os
52% de cesarianas (27) contrastando com uma mortalidade materna em torno
de 70 para 100.000 nascidos vivos (28, 29) Mais ainda, embora falido e não
sustentável em longo prazo, permite ainda a muitos profissionais soluções
cômodas a que esses se aferram, de dentro de sua zona de conforto, como a
praticidade e a conveniência de programar cesarianas eletivas sem
indicação médica definida. Curiosamente, são esses os mesmos profissionais
que defendem o "direito" da mulher de escolher sua via de parto, embora
aparentemente este direito tenha mão única, só valha para a minoria de
mulheres que desejam uma cesariana e não inclua aquelas que desejam um
parto normal nem tampouco se estenda para a decisão sobre o local de parto
(30). A voz das mulheres e o seu direito de escolha têm sido grandemente
ignorados (31).
O debate em torno do parto domiciliar, não apenas no Brasil, mas em todo o
mundo, tem se tornado extremamente polarizado e politizado. Impõe-se o seu
direcionamento sob uma perspectiva mais racional, focada em evidências.
Nossa intenção é promover ampla discussão com toda a sociedade, tentando
estabelecer um consenso, visando a garantir o respeito a um direito
reprodutivo básico, qual seja a escolha do local de parto, mas também a
implementar estratégias para aumentar a segurança e a satisfação das
usuárias em TODOS os partos (12). Isso inclui tanto melhorar e humanizar a
atenção hospitalar no sentido de que os partos assistidos em maternidades
ou centros de parto normal possam representar uma experiência gratificante
para as mulheres, como estabelecer diretrizes para a seleção adequada das
candidatas ao parto domiciliar e um atendimento obstétrico seguro e de
qualidade em domicílio.
REFERÊNCIAS
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Motherhood Unit of the World Health Organization, Care in Normal Birth: A
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30. Amorim MM. Parto Normal vs. Cesárea - (parte 2): por que as taxas de
cesárea são tão elevadas no Brasil? - Parto - Guia do Bebê [Internet].
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http://guiadobebe.uol.com.br/parto-normal-vs-cesarea-parte-2-por-que-as-taxas-de-cesarea-sao-tao-elevadas-no-brasil/
31. Faúndes A, Pádua KS de, Osis MJD, Cecatti JG, Sousa MH de. Opinião de
mulheres e médicos brasileiros sobre a preferência pela via de parto
[Internet]. Revista de Saúde Pública 2004 Aug;38(4):488-494.[cited 2011
Sep 20] Available from:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102004000400002&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
Melania Maria Ramos de Amorim
MD, PhD
Veja Perfil Completo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Vínculo mãe bebê !
Quando eu decidi que queria parir a Isa, foquei muito no parto e fechei os olhos para os procedimentos com o bebê. Talvez por imaturidade, ignorância ou um misto de ambos, eu permiti que minha primeira filha passasse por muitas intervenções de rotina. Eu ainda não tenho meu prontuário para dizer certamente quais foram os procedimentos realizados no meu bebê, mas sei que aspirada ela foi, por exemplo.
Eu ainda pretendo postar meu relato de parto da Isa aqui, vou procurar, mas só pra resumir, eu fiquei 2 dias e meio com contrações a cada 5 minutos. Apesar de longo e cansativo, foi um parto suave e tranquilo. Eu fui internada com 9 cm, e 3 horas e 45 minutos depois a Isa nasceu no quarto do hospital e não no centro cirúrgico. Sem cortes, sem anestesia, com meu companheiro do lado e a profissional que escolhi para me assistir pegando a bebê. Eu fiquei bastante satisfeita por ter parido, e o fato de ter sido separada do bebê, ou de permitir que realizassem os procedimentos não me pareceu tão importante durante bastante tempo. Mesmo com essa experiência, antes mesmo de engravidar novamente eu já desejava que meu próximo bebê nascesse em casa. Não sabia quem iria me acompanhar, como seria, quanto tempo depois, mas queria que fosse na minha casa. E uma grande motivação para ter o parto em casa era permanecer com meu bebê durante todo tempo. Sem me preocupar com as intervenções desnecessárias.
E assim, quando engravidei de novo, fui atrás de assistência e nos programamos. A Clara nasceu num parto tsunamico, intenso demais e rápido. E assim que eu a recebi em meus braços, 5 anos exatos após ter parido sua irmã, eu pedi que ela ficasse comigo. Eu me lembro de esfregá-la e pedir que ela ficasse comigo porque eu a tinha esperado por tanto tempo. Afinal foram anos esperando engravidar, e 41 semanas e 4 dias esperando pelo novo bebê. Eu acreditei que isso foi o que saiu de mim em palavras ditas para ela nos primeiros momentos do parto. Acreditei nisso até sabado, no ENAPARTU, quando assisti ao documentário (lindo por sinal) O Renascimento do Parto !
As palavras que disse pra Clara, na verdade, foram referente a espera por ter meu recém nascido no colo. Eu realmente esperei por tanto tempo para sentir o cheiro, tocar o sangue, o vérnix, o cordão. Para ver seus olhos abrirem pela primeira vez em camera lenta, para ver seus lábio procurarem pelo mamá. Para ter meu bebê conectado pelo cordão ainda por horas. Eu gestei duas vezes por isso, porque da primeira vez eu fui roubada ! Eu esperei isso por muito tempo. O momento precioso. O respeito a nossa intimidade, a nossa nova simbiose.
Tiraram de mim o que é o ápice do gozo após o parto. Tiraram de mim o bebê melecado e a mãe instintiva que nascia naquele momento. E eu sinto tanto por isso !
Eu sabia das intervenções da primeira vez, mas só quem passa por isso, só quem pega seu bebê e o sente de verdade, em cada detalhe, sabe como é difícil ter perdido isso da primeira vez, e o mais triste é que foi sem necessidade.
Eu pedi que a Clara ficasse comigo, eu pedi no calor do momento, na maluquice, na falta de lucidez, na pureza dos sentimentos. Eu não falei belas palavras para minha bebê, mas foram as mais sinceras. As que brotaram do coração, da alma, do corpo. Que brotaram do machucado que se formou anteriormente.
Nenhuma mãe deveria ser separada de seu bebê após o nascimento. Se ambos estiverem bem, isso jamais deveria acontecer !
Eu ainda pretendo postar meu relato de parto da Isa aqui, vou procurar, mas só pra resumir, eu fiquei 2 dias e meio com contrações a cada 5 minutos. Apesar de longo e cansativo, foi um parto suave e tranquilo. Eu fui internada com 9 cm, e 3 horas e 45 minutos depois a Isa nasceu no quarto do hospital e não no centro cirúrgico. Sem cortes, sem anestesia, com meu companheiro do lado e a profissional que escolhi para me assistir pegando a bebê. Eu fiquei bastante satisfeita por ter parido, e o fato de ter sido separada do bebê, ou de permitir que realizassem os procedimentos não me pareceu tão importante durante bastante tempo. Mesmo com essa experiência, antes mesmo de engravidar novamente eu já desejava que meu próximo bebê nascesse em casa. Não sabia quem iria me acompanhar, como seria, quanto tempo depois, mas queria que fosse na minha casa. E uma grande motivação para ter o parto em casa era permanecer com meu bebê durante todo tempo. Sem me preocupar com as intervenções desnecessárias.
E assim, quando engravidei de novo, fui atrás de assistência e nos programamos. A Clara nasceu num parto tsunamico, intenso demais e rápido. E assim que eu a recebi em meus braços, 5 anos exatos após ter parido sua irmã, eu pedi que ela ficasse comigo. Eu me lembro de esfregá-la e pedir que ela ficasse comigo porque eu a tinha esperado por tanto tempo. Afinal foram anos esperando engravidar, e 41 semanas e 4 dias esperando pelo novo bebê. Eu acreditei que isso foi o que saiu de mim em palavras ditas para ela nos primeiros momentos do parto. Acreditei nisso até sabado, no ENAPARTU, quando assisti ao documentário (lindo por sinal) O Renascimento do Parto !
As palavras que disse pra Clara, na verdade, foram referente a espera por ter meu recém nascido no colo. Eu realmente esperei por tanto tempo para sentir o cheiro, tocar o sangue, o vérnix, o cordão. Para ver seus olhos abrirem pela primeira vez em camera lenta, para ver seus lábio procurarem pelo mamá. Para ter meu bebê conectado pelo cordão ainda por horas. Eu gestei duas vezes por isso, porque da primeira vez eu fui roubada ! Eu esperei isso por muito tempo. O momento precioso. O respeito a nossa intimidade, a nossa nova simbiose.
Tiraram de mim o que é o ápice do gozo após o parto. Tiraram de mim o bebê melecado e a mãe instintiva que nascia naquele momento. E eu sinto tanto por isso !
Eu sabia das intervenções da primeira vez, mas só quem passa por isso, só quem pega seu bebê e o sente de verdade, em cada detalhe, sabe como é difícil ter perdido isso da primeira vez, e o mais triste é que foi sem necessidade.
Eu pedi que a Clara ficasse comigo, eu pedi no calor do momento, na maluquice, na falta de lucidez, na pureza dos sentimentos. Eu não falei belas palavras para minha bebê, mas foram as mais sinceras. As que brotaram do coração, da alma, do corpo. Que brotaram do machucado que se formou anteriormente.
Nenhuma mãe deveria ser separada de seu bebê após o nascimento. Se ambos estiverem bem, isso jamais deveria acontecer !
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Eu não sou paciente !
E o CREMERJ nos aprontou mais uma! Agora vetou a presença de doulas e obstetrizes em partos hospitalares. Escreveu um monte de coisas absurdas, gente que não tem o que fazer ! Como se essa fosse a maior preocupação deles - o orgulho ferido.
Tem um abaixo assinado rolando por aí. Eu assinei claro, e me manifesto publicamente contra toda essa palhaçada e ignorância ! Não como doula, e sim como mulher, como cidadã.
Então, nós já temos umas 1500 assinaturas, você não precisa ser doula, obstetriz, você só precisa ser a favor do direito de escolha ! Aqui vai o link: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=265266RJ
Tem um abaixo assinado rolando por aí. Eu assinei claro, e me manifesto publicamente contra toda essa palhaçada e ignorância ! Não como doula, e sim como mulher, como cidadã.
Então, nós já temos umas 1500 assinaturas, você não precisa ser doula, obstetriz, você só precisa ser a favor do direito de escolha ! Aqui vai o link: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=265266RJ
Sobre as marcas que carregamos
Ontem pela manhã eu olhei para minhas estrias que sairam na gravidez da Isa e da Clara, ambas no mesmo lugar, quase que sobrepostas e me senti saudosa do barrigão ! Me peguei pensando que aquelas eram as marcas mais consistentes que carrego por ter tido duas barrigas cheias como a lua, redondas, recheadas. E eu, que amei estar grávida confesso que tenho minhas estrias com orgulho.
Socialmente, no nosso mundo onde as mulheres devem ser perfeitas, desenhadas, verdadeiras barbies bonecas, minhas estrias não seriam bem vinda. Elas são consideradas marcas que estragam o corpo da mulher e fazem com que muitas se submetam a cirurgias para ocultá-las. Não só marcas como estrias, mas qualquer outro tipo de marca causado pelo tempo ou pelas mudanças (gestação, amamentação).
Eu já tinha ouvido isso de outras mulheres, que gostavam das marcas, das cicatrizes, só que nunca tinha sentido. Ontem eu senti, e eu jamais apagaria essas lembranças do meu corpo. Assim como uma tatuagem, eu as tenho no corpo e no coração. Eu as amo !
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Infância livre de consumismo
Carta aberta ao Conar
Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www. infancialivredeconsumismo.com. br)
Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.
Compartilho texto da Paula Mariá
Eu conheci esse blog faz pouco tempo. E AMEI !
Compartilho um texto muito bom, espero que pensemos antes de falar qualquer coisa.
Na marcha do parto em casa rolou cantar umas músicas chamando o pessoal do CREMERJ de filhos da puta. E eu na hora pensei, meu, que conflitante ! Uma marcha pelo direito das mulheres, pelo respeito a elas, e caimos de novo na ideia comum de criticar uma mulher com a vida sexual ativa.
Leiam. Vale a pena !
http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/07/no-meutexto-sobre-piadas-politicamente.html
Compartilho um texto muito bom, espero que pensemos antes de falar qualquer coisa.
Na marcha do parto em casa rolou cantar umas músicas chamando o pessoal do CREMERJ de filhos da puta. E eu na hora pensei, meu, que conflitante ! Uma marcha pelo direito das mulheres, pelo respeito a elas, e caimos de novo na ideia comum de criticar uma mulher com a vida sexual ativa.
Leiam. Vale a pena !
http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/07/no-meutexto-sobre-piadas-politicamente.html
Vídeo sobre a MARCHA DO PARTO DOMICILIAR
Participar da marcha do parto em casa foi emocionante.Participar de uma revolução pelo amor. Pelo respeito. Pelo direito de escolha da mulher !
A marcha, apesar do nome, não foi pelo parto ser em casa. E sim pelo direito da mulher escolher onde e como quer ter seu bebê.
O vídeo abaixo mostra que a marcha ocorreu em mais de 32 cidades. Eu participei da de Sorocaba e de São Paulo.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Reportagem sobre Parto Domiciliar !
Parto domiciliar divide opiniões entre médicos e mães
Cada vez mais procurado, o
parto humanizado é um conceito de dar à luz da maneira mais natural possível.
Trata-se de um parto feito num ambiente harmônico, com o mínimo de intervenção
externa, no entanto, ainda não existe definição protocolar para esse
procedimento.
O parto domiciliar já foi
a opção mais segura para as mulheres. Na Europa de até meados do século 19, os
médicos não conheciam conceitos, nem a importância, de procedimentos como a
assepsia e era comum que manipulassem enfermos, cadáver e logo depois
realizassem um parto. Nessas condições, os índices de mortalidade em geral e
também dos recém-nascidos era alto.
Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais
tornaram-se lugares mais seguros e indicados para o nascimento de crianças. No
entanto, muitas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.
Algumas famosas como
Gisele Bündchen, Juliana Knust e Daniele Suzuki também optaram pelo parto
humanizado afirmando resgata o direito da mulher de escolher o que será melhor
para ela e seu filho, sem ter que simplesmente aceitar as regras dos médicos e
hospitais.
As mulheres que optam por
esse método se sentem realizadas, no entanto, na hora de seguir o exemplo das celebridades,
os cuidados básicos com saúde da criança e da mãe não podem ficar de fora.
Qualquer mulher que tome essa decisão deve estar em dia com os exames
necessários e ser acompanhada por médicos.
No Brasil, o parto
domiciliar não é recomendado pela Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Conselho Regional de Medicina de
São Paulo (Cremesp), por causa do risco à mulher e ao bebê.
Para as mulheres que
decidem, ainda assim, dar à luz à moda antiga, é necessário um pré-natal bem
feito e com acompanhamento adequado, infraestrutura mínima, condições de
transporte de urgência e preparo do profissional que vai acompanhar o parto,
seja eles, uma enfermeira ou um médico.
Em entrevista com Letícia
Schimidt Arruda, mãe, doula e organizadora do grupo Ishtar de Sorocaba, o Folha
da Cidade esclarece algumas curiosidades sobre o parto domiciliar.
FOLHA - Quais são as
vantagens do parto em casa?
LETÍCIA - Eu acho que a maior vantagem é estar num local
conhecido, familiar, onde você pode escolher desde a assistência, pessoas que
estarão com você, o que deseja comer ou beber, até o tempo que o bebê ficará ao
seu lado e quando dar o primeiro banho. Além disso, no último estudo sobre a
segurança do parto domiciliar comprovou que o grau de satisfação materna é
aumentado em relação ao parto hospitalar.
Acho importante ressaltar
que os estudos mais recentes, publicados em 2011, o do National Health
System (NHS) no Reino Unido e outro estudo holandês com mais de 679.000
partos mostram a segurança do parto domiciliar. Nesse último estudo,
evidenciou-se uma mortalidade perinatal de 0,15% em partos domiciliares
planejados contra 0,18% em partos hospitalares planejados em parturientes de
baixo risco. Como diz a camiseta que minha filha usou na marcha do parto em
casa: “Eu nasci com segurança amor e respeito. Eu nasci em casa”. Acho que essa
frase já diz tudo.
FOLHA - Quais medidas
você teve que adotar para realizar o parto domiciliar?
LETÍCIA - Eu fiz o pré-natal normal, com exames, ultrassono-grafias,
consultas regulares e ao final da gestação estava tudo ok, ou seja, era uma
gestação de baixo risco o qual eu podia escolher onde ter o bebê. Então, optei
pelo parto em casa. Foi necessário escolher assistência, definir um plano B
(mesmo o parto ocorrendo em casa, precisa ter escolhido um hospital próximo
para transferência, se necessário), manter a casa limpa e organizada (separei
comida, toalhas de banho, roupa de cama, lençol descartável) e esperar o grande
dia.
FOLHA - Como foi o
nascimento da sua filha?
LETÍCIA - Eu conheci a opção do parto domiciliar quando estava
grávida da minha primeira filha, que hoje tem 5 anos. Mas não tive tempo de
amadurecer a ideia, e estudar os riscos e benefícios. O primeiro nascimento foi
uma experiência legal, porém fui separada do meu bebê, ela não pôde mamar na
primeira hora, eu não a vi direito assim que nasceu pela rapidez com que ela
foi levada, isso me levou a questionar mais a fundo o porquê do parto
domiciliar.
Em dezembro de 2007 fiz o
curso de doula (mulher que auxilia outras mulheres na gestação, parto e
pós-parto) e acompanhei alguns partos em casa, todos planejados, com
assistência profissional e todos tiveram excelentes resultados.
Quando eu engravidei da
segunda filha, o parto em casa foi minha primeira opção. Fui acompanhada e
contratei uma equipe para vir me atender em casa. Era uma obstetriz e uma
médica neo-natologista, além de uma doula. Minha filha nasceu de um parto
muito tranquilo e intenso, no chuveiro da minha casa e foi aparada por mim e
pelo meu marido. Permaneceu no meu colo durante toda avaliação, mamou e
conheceu a irmã em seguida, o que tornou nosso momento ainda mais especial.
Depois de algum tempo brindamos a chegada da pequena na família junto à equipe,
foi um dia muito emocionante, um evento familiar!
FOLHA - Considerações.
LETÍCIA - O grupo Ishtar existe para a troca de informações e
experiências, que podem ser obtidas no ishtarsorocaba.blogspot.com. As reuniões
acontecem quinzenalmente e são gratuitas.
MARCHA - No domingo, 17 de junho, mulheres de diversas cidades
do Brasil foram às ruas para lutar por um direito. Elas querem poder escolher
onde vão dar à luz.
O movimento Marcha do
Parto em Casa ganhou força depois que o programa Fantástico, exibiu uma
reportagem sobre o tema onde o obstetra Jorge Francisco Kuhn defendeu o parto
domiciliar para mulheres saudáveis que realizaram um pré-natal completo com o
acompanhamento de um especialista. Porém o Conselho Regional de Medicina do Rio
de Janeiro (Cremerj) pediu ao Cremesp, uma punição para o obstetra.
Para Letícia Arruda
participar da Marcha do Parto em Casa foi muito especial, “foi um manifesto
nacional, que aconteceu em mais de 23 cidades brasileiras. Apesar do nome, a
marcha não era pelo parto em casa e sim pelo direito de escolha das mulheres.
Eu acho que toda mulher deve ter acesso real à informação e decidir o que é
melhor para ela e para o bebê. Uma marcha pela liberdade e pelo respeito a
todas as mulheres! Muitas ainda são desrespeitadas, sofrem violência obstétrica
e acham normal! Espero que com o assunto na mídia, uma parcela da sociedade ao
menos pense sobre o assunto”, salientou.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Introdução de alimentos
Faz algum tempo que eu tenho pensado sobre introdução de alimentos e, agora com meu blog rs, posso postar aqui o que to achando do assunto.
Pra começar, acho que 6 meses para começar a introdução uma data média. Explico. Pra mim é como as 40 semanas de gestação. Alguns bebês ficam prontos antes, outros bem depois. E tudo bem. Não precisa haver uma regra, um tempo afixado para começarem a comer.
Com a Isa eu fiz a introdução aos 7 meses, porque ela nunca apresentava interesse antes, e aos 7 meses (embora ainda não tivesse interesse por comer) eu achei que precisava dar algo. Após 2 consultas com 2 pediatras (!!), gostei mais da linha da segunda e lá fui eu começar. Lembrava sempre da frase da segunda pediatra: é importante você servir o que a criança possa comer, porque eventualmente eles vão enfiar a mão na sua comida e querer o que você está comendo.
De inicio essa frase não me soou tão impactante, entretanto aos poucos notei como é importante ter uma alimentação familiar saudável, para que a criança aprenda a comer bem.
Começamos então com almoço, nada de suquinhos (mesmo porque sou contra dar sucos assim, falarei mais), e nada de frutinhas de inicio. Eram sempre 3 variedades: um caule/folha, um fruto e uma raíz. Tudo com um fio de azeite por cima, amassado. E eu cozinhava tudo no vapor, e servia animadíssima e, depois da segunda colherada ela não queria mais. Eu dava de colher, com ela sentadinha em algum cadeirão, ou mesmo no chão, mas na minha frente. Eu quem oferecia. Depois fomos para jantar, e lanches da manhã e da tarde com frutas. Porém, o interesse dela era o mesmo.
Aos 9 meses (sei disso por ter foto datada) ela comia muito melhor com as mãos, seu interesse por brócolis em pequenos pedaços era bem maior do que nos legumes cozidos e amassados que eu apresentava. Com os pedacinhos ela tinha a curiosidade de pegar, e ia lá com seus dedinhos minúsculos e gorduchinhos para pegar, avaliar e então experimentar. Parte ia pro cabelo, pra roupa, pro chão, pra cachorrinha companheira, e alguma coisa ia pra boca ! Ela beliscou de tudo até os 2 anos, quando reduzimos o ritmo das mamadas e então ela passou a comer de verdade ! Acho que eu também relaxei um pouco, não fiquei mais tão apreensiva com quanto de cálcio e ferro, por exemplo, ela estava ingerindo em cada colheradinha micro que ela dava. Enquanto ela aprendia a comer, eu aprendia a relaxar e ser leve com as novas experiências.
A Isa hoje come muito bem. Tanto em variedade, quanto em quantidade ! É uma criança sem problemas para experimentar coisas novas, para curtir comidas conhecidas, para apreciar o momento da refeição.
Agora logo passo por isso de novo com a Clara. E desde quando ela nasceu penso muito sobre o assunto. O modelo de cozinhar x coisas e apresentar na colher, pratinho certo, sentadinha no cadeirão já não me faz sentido. Eu pensava em fazer ou comprar uma mesa de madeira pequenina e servir nossos alimentos lá, para que a Isa pudesse se alimentar e a Clara experimentar, com seus dedinhos, escolhendo o que quisesse desde sempre. Já com essa ideia formada, fui fazer um curso de Educação Ativa, onde ouvi muito sobre importância de servir variedade de alimentos e respeitar a decisão da criança, no caso, do bebê. E isso consolidou minha ideia de introdução de alimentos.
Comer é nutricional, precisamos das vitaminas, minerais, cálcio, ferro, proteínas, etc. Sim. Mas é além disso uma experiência cultural e de prazer ! Sim, é uma delícia comer ! Eu amo, pelo menos. É gostoso um prato colorido, perfumado e saboroso ! É rico, é uma explosão de sensações. E hoje eu acho que essa experiência é muito mais importante do que apenas se preocupar com comer para se alimentar, para "crescer forte e saudável".
É bacana dividir o alimento, observar outras pessoas comendo, conversar, se ambientar.
Por hora, imagino que teremos esse local de alimentação, com uma toalha bem bonita, com alguns pratos e muitas possibilidades. Sem neuras (ou com menos rs), um momento divertido, familiar, sem distrações, porém flexível.
Por ser um momento familiar, não vejo a mínima lógica do bebê se alimentar sozinho, fora do resto da família, antes de todos. Aqui pretendo oferecer junto, pelo menos as refeições durante o dia (lanche da manhã, almoço e lanche da tarde), talvez o jantar seja diferenciado do meu, por conta de horário de sono mesmo.
Veremos quais serão os primeiros alimentos da Clara e qual sua reação ! Em poucos meses, volto aqui pra contar ! Oba !
Aqui um vídeo de alguns bebês se alimentando com as mãos, a comida em pedaço, nada de papinhas:
http://www.youtube.com/watch?v=xVBdMDl4RXo&feature=youtu.be
Pra começar, acho que 6 meses para começar a introdução uma data média. Explico. Pra mim é como as 40 semanas de gestação. Alguns bebês ficam prontos antes, outros bem depois. E tudo bem. Não precisa haver uma regra, um tempo afixado para começarem a comer.
Com a Isa eu fiz a introdução aos 7 meses, porque ela nunca apresentava interesse antes, e aos 7 meses (embora ainda não tivesse interesse por comer) eu achei que precisava dar algo. Após 2 consultas com 2 pediatras (!!), gostei mais da linha da segunda e lá fui eu começar. Lembrava sempre da frase da segunda pediatra: é importante você servir o que a criança possa comer, porque eventualmente eles vão enfiar a mão na sua comida e querer o que você está comendo.
De inicio essa frase não me soou tão impactante, entretanto aos poucos notei como é importante ter uma alimentação familiar saudável, para que a criança aprenda a comer bem.
Começamos então com almoço, nada de suquinhos (mesmo porque sou contra dar sucos assim, falarei mais), e nada de frutinhas de inicio. Eram sempre 3 variedades: um caule/folha, um fruto e uma raíz. Tudo com um fio de azeite por cima, amassado. E eu cozinhava tudo no vapor, e servia animadíssima e, depois da segunda colherada ela não queria mais. Eu dava de colher, com ela sentadinha em algum cadeirão, ou mesmo no chão, mas na minha frente. Eu quem oferecia. Depois fomos para jantar, e lanches da manhã e da tarde com frutas. Porém, o interesse dela era o mesmo.
Aos 9 meses (sei disso por ter foto datada) ela comia muito melhor com as mãos, seu interesse por brócolis em pequenos pedaços era bem maior do que nos legumes cozidos e amassados que eu apresentava. Com os pedacinhos ela tinha a curiosidade de pegar, e ia lá com seus dedinhos minúsculos e gorduchinhos para pegar, avaliar e então experimentar. Parte ia pro cabelo, pra roupa, pro chão, pra cachorrinha companheira, e alguma coisa ia pra boca ! Ela beliscou de tudo até os 2 anos, quando reduzimos o ritmo das mamadas e então ela passou a comer de verdade ! Acho que eu também relaxei um pouco, não fiquei mais tão apreensiva com quanto de cálcio e ferro, por exemplo, ela estava ingerindo em cada colheradinha micro que ela dava. Enquanto ela aprendia a comer, eu aprendia a relaxar e ser leve com as novas experiências.
A Isa hoje come muito bem. Tanto em variedade, quanto em quantidade ! É uma criança sem problemas para experimentar coisas novas, para curtir comidas conhecidas, para apreciar o momento da refeição.
Agora logo passo por isso de novo com a Clara. E desde quando ela nasceu penso muito sobre o assunto. O modelo de cozinhar x coisas e apresentar na colher, pratinho certo, sentadinha no cadeirão já não me faz sentido. Eu pensava em fazer ou comprar uma mesa de madeira pequenina e servir nossos alimentos lá, para que a Isa pudesse se alimentar e a Clara experimentar, com seus dedinhos, escolhendo o que quisesse desde sempre. Já com essa ideia formada, fui fazer um curso de Educação Ativa, onde ouvi muito sobre importância de servir variedade de alimentos e respeitar a decisão da criança, no caso, do bebê. E isso consolidou minha ideia de introdução de alimentos.
Comer é nutricional, precisamos das vitaminas, minerais, cálcio, ferro, proteínas, etc. Sim. Mas é além disso uma experiência cultural e de prazer ! Sim, é uma delícia comer ! Eu amo, pelo menos. É gostoso um prato colorido, perfumado e saboroso ! É rico, é uma explosão de sensações. E hoje eu acho que essa experiência é muito mais importante do que apenas se preocupar com comer para se alimentar, para "crescer forte e saudável".
É bacana dividir o alimento, observar outras pessoas comendo, conversar, se ambientar.
Por hora, imagino que teremos esse local de alimentação, com uma toalha bem bonita, com alguns pratos e muitas possibilidades. Sem neuras (ou com menos rs), um momento divertido, familiar, sem distrações, porém flexível.
Por ser um momento familiar, não vejo a mínima lógica do bebê se alimentar sozinho, fora do resto da família, antes de todos. Aqui pretendo oferecer junto, pelo menos as refeições durante o dia (lanche da manhã, almoço e lanche da tarde), talvez o jantar seja diferenciado do meu, por conta de horário de sono mesmo.
Veremos quais serão os primeiros alimentos da Clara e qual sua reação ! Em poucos meses, volto aqui pra contar ! Oba !
Aqui um vídeo de alguns bebês se alimentando com as mãos, a comida em pedaço, nada de papinhas:
http://www.youtube.com/watch?v=xVBdMDl4RXo&feature=youtu.be
Começando de novo !
Acho que esta é a quinta (ou mais) vez que tento fazer um blog. Acho a ideia super bacana, de ter um diário digital, mas acabo nunca levando adiante. Bem, não até agora.
Lendo hoje o blog da Natália (mamãe da Alice) me inspirei e resolvi tentar de novo !
Devo falar basicamente do que ocupa uns 90% da minha vida hoje, a maternidade ! E o quão delicioso acho vivenciar essa fase.
Eu tenho a Isa, de 5 anos, que foi bastante desejada e que trouxe uma revolução enorme na minha vida. Eu amei a experiência de estar grávida e fui me descobrindo e me conhecendo a partir daí. Foi com a gravidez da Isa que me surgiu pela primeira vez a ideia de querer um parto normal, de esperar amamentar, de me interessar por alimentação, educação, e descobrir enfim a matrix (tudo isso pretendo falar aqui).
Com tantas descobertas eu demorei para entender e aceitar muitas coisas, os primeiros 2 anos da minha filha foram os mais intensos da minha vida, um furacão de sentimentos, que refletiu em tudo que me cerca. Eu sempre quis outro(s) filho(s). Desde o dia que a Isa nasceu tive certeza que queria passar por tudo aquilo de novo. Minha paixão pela gravidez, pelo parto e pela amamentação, me fizeram seguir estudando e em dezembro de 2007 fiz o curso de doulas em SP. Acompanhei diversos partos, em casa, no hospital, todos com suas particularidades, com suas diferenças. E como é bacana conhecer tantas novas famílias se formando. E claro, ver tantas mulheres queridas se transformando ! Eu passei a organizar um grupo na cidade de Sorocaba, o Ishtar, junto com a minha amiga Carla e nós vivenciamos tantos encontros legais, tantos temas, tantas pessoas que conhecemos. A vontade de engravidar só aumentava dentro desse universo e em 2010 eu engravidei novamente, mas sofri um aborto espontâneo. E só após exatos 12 meses do aborto, eu me descobri grávida. Eu estava viajando, e na volta com um pequeno atraso e alguns sintomas bem sutis, fiz um teste de farmácia e lá estava a segunda faixa rosa ! Quanta alegria ! Era a Clara chegando.
Foi uma gravidez pra lá de especial, querida, deliciosa ! E a Clarinha veio se mostrar no dia 9 de fevereiro deste ano. Que sensação mágica, única, que foi tê-la em meus braços depois de um parto intenso e rápido. Ela nasceu em casa, debaixo do chuveiro, cercada de amor e respeito. Foi aparada por mim e pelo Neto, meu companheiro, e conheceu a irmã em seguida. A Clara está com seus 4 meses, 4 meses de fofurices rs. Ela veio pra consolidar muitos ensinamentos que tive com a Isa, veio num momento em que eu já me conhecia um pouco melhor, já sabia o que esperar, não era mais uma moça indefesa com seu bebê no colo e sim uma mulher forte que sabe bem o quão desafiador pode ser a entrega da maternagem !
Aos poucos vou escrever meus pensamentos aqui, uma parcela deles pelo menos. Devo falar um bocado sobre parto, amamentação, alimentação, educação, paternidade, e outros... Veremos o que me vem a mente !
Lendo hoje o blog da Natália (mamãe da Alice) me inspirei e resolvi tentar de novo !
Devo falar basicamente do que ocupa uns 90% da minha vida hoje, a maternidade ! E o quão delicioso acho vivenciar essa fase.
Eu tenho a Isa, de 5 anos, que foi bastante desejada e que trouxe uma revolução enorme na minha vida. Eu amei a experiência de estar grávida e fui me descobrindo e me conhecendo a partir daí. Foi com a gravidez da Isa que me surgiu pela primeira vez a ideia de querer um parto normal, de esperar amamentar, de me interessar por alimentação, educação, e descobrir enfim a matrix (tudo isso pretendo falar aqui).
Com tantas descobertas eu demorei para entender e aceitar muitas coisas, os primeiros 2 anos da minha filha foram os mais intensos da minha vida, um furacão de sentimentos, que refletiu em tudo que me cerca. Eu sempre quis outro(s) filho(s). Desde o dia que a Isa nasceu tive certeza que queria passar por tudo aquilo de novo. Minha paixão pela gravidez, pelo parto e pela amamentação, me fizeram seguir estudando e em dezembro de 2007 fiz o curso de doulas em SP. Acompanhei diversos partos, em casa, no hospital, todos com suas particularidades, com suas diferenças. E como é bacana conhecer tantas novas famílias se formando. E claro, ver tantas mulheres queridas se transformando ! Eu passei a organizar um grupo na cidade de Sorocaba, o Ishtar, junto com a minha amiga Carla e nós vivenciamos tantos encontros legais, tantos temas, tantas pessoas que conhecemos. A vontade de engravidar só aumentava dentro desse universo e em 2010 eu engravidei novamente, mas sofri um aborto espontâneo. E só após exatos 12 meses do aborto, eu me descobri grávida. Eu estava viajando, e na volta com um pequeno atraso e alguns sintomas bem sutis, fiz um teste de farmácia e lá estava a segunda faixa rosa ! Quanta alegria ! Era a Clara chegando.
Foi uma gravidez pra lá de especial, querida, deliciosa ! E a Clarinha veio se mostrar no dia 9 de fevereiro deste ano. Que sensação mágica, única, que foi tê-la em meus braços depois de um parto intenso e rápido. Ela nasceu em casa, debaixo do chuveiro, cercada de amor e respeito. Foi aparada por mim e pelo Neto, meu companheiro, e conheceu a irmã em seguida. A Clara está com seus 4 meses, 4 meses de fofurices rs. Ela veio pra consolidar muitos ensinamentos que tive com a Isa, veio num momento em que eu já me conhecia um pouco melhor, já sabia o que esperar, não era mais uma moça indefesa com seu bebê no colo e sim uma mulher forte que sabe bem o quão desafiador pode ser a entrega da maternagem !
Aos poucos vou escrever meus pensamentos aqui, uma parcela deles pelo menos. Devo falar um bocado sobre parto, amamentação, alimentação, educação, paternidade, e outros... Veremos o que me vem a mente !
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